Facécias



Nesse espaço vamos publicar, para que as oficineiras estudem, algumas facécias, que são historietas engraçadas, brincadeiras ou pilhérias.


O caboclo, o padre e o estudante

Um estudante e um padre viajavam pelo interior, tendo como guia um caboclo. Deram a eles, numa casa, um pequeno queijo de cabra. Não sabendo como dividir, pois que o queijo era pequeno mesmo, o padre resolveu que todos dormissem e o queijo seria daquele que tivesse, durante a noite, o sonho mais bonito (pensando, claro, em engambelar os outros dois com seu oratório). Todos aceitaram e foram dormir. À noite, o caboclo acordou, foi ao queijo e comeu-o.
Pela manhã, os três sentaram à mesa para tomar café e cada qual teve que contar seu sonho. O padre disse que sonhou com a escada de Jacó e descreveu lindamente. Por ela, ele subia triunfalmente para o céu. O estudante então contou que sonhara já estar no céu esperando o padre que subia. O caboclo riu e contou:
- Sonhei que via seu padre subindo a escada e seu doutor lá no céu, rodeado de amigos. Eu fiquei na terra e gritei:
- Seu doutor, seu padre, o queijo! – Vosmicês esqueceram o queijo!
Então vosmicês responderam de longe, do céu:
- Come o queijo, caboclo! - Come o queijo, caboclo! Nós estamos no céu, não queremos queijo.
- O sonho foi tão forte que eu pensei que era verdade, levantei enquanto vocês dormiam e comi o queijo... 

 
A velha amorosa


Uma velha bem velha e feia enamorou-se de um rapaz que nem dava atenção se ela vi vivia neste mundo. Tanto a velha se requebrou e se exibiu, suspirando e revirando os olhos quando o via, que o moço a notou, perguntando o que tinha, Respondeu a velha que morria de amores por ele e que esperava uma palavra de esperança. O rapaz achou que era graça da velha, mas esta in sistiu e o perseguia de um modo que os outros rapazes davam-lhe vaias.
O rapaz, para livrar-se daquela mania, disse à velha que a aceitaria para mulher se ela passasse uma noite, descoberta, rezando no adro da Igreja. Era dezembro e nevava que era um louvar a Deus.
A velha aceitou a penitência e numa noite de nevada forte, foi-se ao adro e se postou de pé, toda dura, rezando e disposta a ficar todo o tempo nessa posição. A neve caía, o frio enregelava e um vento ia cortando como navalha. A velha, para não sentir, cantava, de espaço a espaço:
E as horas foram passando, a neve aumentando, com o frio e a ventania, e a velha firme na sua pretensão:

Hoje congelada, amanhã casada
Hoje congelada, amanhã casada

Lá pela madrugada calou-se.
Pela manhã acharam-na morta.